Padroeiro e copadroeiros
A Congregação Salesiana no mundo
Maria Auxiliadora, Padroeira principal da Congregação Salesiana
A Congregação Salesiana reconhece em Maria Auxiliadora a sua Padroeira principal. Para Don Bosco, a devoção à Virgem sob este título não foi um elemento acessório da sua espiritualidade, mas uma dimensão constitutiva do seu carisma. Ele próprio afirmava: «Foi Ela quem fez tudo». Nesta expressão concentra-se a consciência profunda de que a obra salesiana nasce e cresce sob a guia materna de Maria.
O título “Auxilium Christianorum” tem as suas raízes na tradição da Igreja, especialmente no contexto das provações atravessadas pelo povo cristão. Don Bosco assume-o numa época marcada por tensões políticas e culturais, na convicção de que Maria continua a sustentar a Igreja no seu caminho histórico. A sua devoção, todavia, não se exprime em formas polémicas ou defensivas, mas numa confiança filial e operosa.
A construção, em Turim, da Basílica dedicada a Maria Auxiliadora, no coração do bairro de Valdocco, foi inspirada por Ela. O edifício não é apenas um monumento arquitetónico, mas o sinal visível da fé: Maria está presente na vida da Igreja e na obra educativa. À volta da Basílica desenvolveu-se um centro de irradiação espiritual que continua a atrair peregrinos de todo o mundo.
Para Don Bosco, Maria é Mãe e Mestra. Mãe, porque acompanha com ternura o caminho dos jovens, especialmente dos mais pobres e abandonados; Mestra, porque educa para a fé, para a docilidade ao Espírito, para a disponibilidade ao projeto de Deus. Na pedagogia salesiana, a dimensão mariana não é marginal: educar significa também introduzir numa relação filial com a Virgem.
A devoção a Maria Auxiliadora está estreitamente ligada à Eucaristia. Don Bosco propunha aos jovens um caminho espiritual fundado nos sacramentos, na confissão frequente e na comunhão assídua. Neste horizonte, Maria é aquela que conduz a Cristo e forma corações disponíveis à graça. A Associação de Maria Auxiliadora (ADMA), por ele fundada, nasce precisamente para sustentar esta espiritualidade e promover a oração pela Igreja e pelo Papa.
No carisma salesiano, Maria Auxiliadora não é apenas objeto de devoção, mas presença operante na missão. Os Salesianos, as Filhas de Maria Auxiliadora e os grupos da Família Salesiana reconhecem nela a guia e o apoio da sua ação apostólica. A celebração de 24 de maio, solenidade de Maria Auxiliadora, representa todos os anos um momento de renovada pertença e de entrega.
Maria, na experiência de Don Bosco, é também modelo de disponibilidade e de operosidade. O seu “fiat” torna-se paradigma da resposta vocacional. Nela contempla-se uma fé concreta, encarnada na história, capaz de enfrentar as dificuldades sem perder a confiança em Deus. Esta dimensão é particularmente significativa para uma Congregação chamada a trabalhar em contextos muitas vezes marcados pela fragilidade e pela pobreza.
A espiritualidade mariana salesiana é profundamente eclesial. Maria Auxiliadora é invocada como amparo do Povo de Deus e sinal de esperança para a humanidade. A educação dos jovens, na perspetiva de Don Bosco, não se pode separar desta visão ampla e missionária: formar bons cristãos e honestos cidadãos significa inseri-los numa história de salvação acompanhada pela presença materna de Maria.
Hoje, nos cinco continentes, a devoção a Maria Auxiliadora continua a ser um traço distintivo da identidade salesiana. Alimenta a oração, sustenta a missão, reforça a comunhão entre os membros da Família Salesiana. Sob o seu patrocínio, a Congregação renova a certeza de que a obra educativa é, antes de mais, obra de Deus, com a qual Maria coopera com amor materno.
São José, Copadroeiro da Congregação Salesiana
A par de Maria Auxiliadora, a Congregação Salesiana venera São José como copadroeiro. A sua figura, silenciosa e operosa, ocupa um lugar significativo na espiritualidade de Don Bosco, que o propôs como modelo de confiança, laboriosidade e obediência à vontade de Deus.
São José é o homem justo, guardião do Redentor e esposo da Virgem Maria. No Evangelho não pronuncia palavras, mas a sua vida é eloquente: escuta, discerne, age. Esta dimensão de silêncio fecundo e de responsabilidade concreta ressoa profundamente no carisma salesiano, chamado a conjugar contemplação e ação educativa.
Para uma Congregação dedicada à educação dos jovens e à formação profissional, a figura de José operário assume um valor particular. Ele é o carpinteiro de Nazaré, que inicia Jesus no trabalho humano. Don Bosco, atento à promoção humana dos rapazes através das escolas profissionais e da aprendizagem de ofícios, reconhecia em São José um padroeiro natural das obras artesanais e formativas.
São José é também modelo de paternidade. A paternidade educativa, tão central na tradição salesiana, encontra nele uma referência evangélica. Não uma paternidade autoritária, mas uma presença discreta e fiável, capaz de proteger e de orientar. O Reitor-Mor, como sucessor de Don Bosco, é chamado a exercer esta dimensão de paternidade espiritual em continuidade com o exemplo de José.
A confiança na Providência, traço distintivo da vida de Don Bosco, reflete-se na figura de São José. Perante situações inesperadas e complexas, ele confia na palavra de Deus e cumpre prontamente o que lhe é pedido. Neste sentido, José é ícone da docilidade ao Espírito e da fidelidade nas provações.
No contexto contemporâneo, marcado por transformações no tecido familiar e social, a proposta de São José como copadroeiro convida a Família Salesiana a redescobrir o valor da responsabilidade, da guarda e do trabalho digno. A sua intercessão acompanha as comunidades educativas no seu compromisso quotidiano em favor dos jovens, especialmente dos mais frágeis.
São Francisco de Sales, Copadroeiro e inspirador espiritual
A Sociedade fundada por Don Bosco tem o nome de São Francisco de Sales, escolhido como padroeiro e modelo espiritual. Bispo de Genebra no tempo da Reforma, Francisco de Sales distinguiu-se pela sua mansidão, pela sua caridade pastoral e pela sua capacidade de diálogo.
Don Bosco via nele o santo da doçura e do humanismo cristão. Numa época marcada por tensões e conflitos religiosos, Francisco de Sales soube unir firmeza doutrinal e bondade no trato. Este estilo pastoral influenciou profundamente a pedagogia salesiana, fundada na amabilidade e na persuasão mais do que na coação.
A “Introdução à vida devota” ofereceu a Don Bosco um modelo de espiritualidade acessível a todos, não reservada aos mosteiros, mas vivida nas condições ordinárias da vida. Esta perspetiva reflete-se na proposta salesiana de santidade juvenil: uma santidade possível, alegre, encarnada nos deveres quotidianos.
São Francisco de Sales encarna também a dimensão missionária e cultural do carisma. Homem da palavra e da escrita, utilizou os meios de comunicação do seu tempo para difundir o Evangelho. Don Bosco, atento à edição e à imprensa popular, reconheceu-se neste dinamismo apostólico.
Como copadroeiro, Francisco de Sales continua a recordar à Congregação que a educação é obra de caridade pastoral. A doçura, a paciência, o respeito pelos tempos da graça são elementos essenciais da ação salesiana. No seu exemplo, os Salesianos encontram um convite constante a unir zelo apostólico e mansidão evangélica, fidelidade à verdade e atenção à pessoa.










